quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett: uma muito resumida abordagem

Este drama de Almeida Garrett foi representado pela primeira vez em 1843, tendo sido publicado no ano seguinte, sendo considerado a obra-prima do Teatro Romântico e uma das obras-primas da Literatura Portuguesa.

O enredo, inspirado na vida do escritor seiscentista Frei Luís de Sousa, de seu nome secular D. Manuel de Sousa Coutinho, tem como pano de fundo a resistência à dominação filipina. Sete anos depois de o seu marido, D. João de Portugal, ter sido dado como morto na batalha de Alcácer-Quibir, D. Madalena de Vilhena desposa D. Manuel de Sousa Coutinho, união de que nasce uma filha, Maria. A sua existência só é perturbada pelos tristes pressentimentos da frágil e sensível Maria e de Telmo, o velho aio que continua à espera do regresso de D. João. Este aparece, disfarçado de romeiro, e dá a conhecer a sua verdadeira identidade. O desfecho é trágico: Maria morre na igreja, no preciso momento em que os seus pais professam.

O crescendo dramático que envolve a acção culmina, assim, numa catástrofe, que é, todavia, de índole essencialmente psicológica e ideológica e conduzida com extrema sobriedade. Na célebre Memória ao Conservatório Real, que acompanha a peça, Garrett define o drama como «a mais verdadeira expressão literária e artística da civilização do século», sobre a qual exerce, ao mesmo tempo, uma «poderosa influência». Ressalvando que a índole da sua composição pertence ainda ao género clássico, critica o modo como na sua época se pretende fazer o drama, com um excesso de violência e de imoralidade, e alega ter desejado «excitar fortemente o terror e a piedade», usando de contenção e simplicidade.

Almeida Garrett: uma curta biografia

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (1799-1854) foi o iniciador do Romantismo e refundador do teatro português, criador do lirismo moderno e da prosa moderna, e ainda jornalista, político, legislador, em suma, um exemplo de aliança indissociável entre o homem político e o escritor, o cidadão e o poeta.

Tendo nascido no Porto, no seio de uma família burguesa, que se refugia em 1809 na ilha Terceira, a fim de escapar à segunda invasão francesa. Nos Açores, recebe uma educação clássica e iluminista (Voltaire e Rousseau, que lhe ensinam o valor da Liberdade), orientada pelo tio, Frei Alexandre da Conceição, Bispo de Angra, ele próprio escritor.

Em 1817, vai estudar Leis para Coimbra, foco de fermentação das ideias liberais. Em 1820, finalista em Coimbra, recebe com entusiasmo e optimismo a notícia da revolução liberal. Em 1821, publica em Coimbra O Retrato de Vénus, ainda marcada por um estilo arcádico. Arcádicos são igualmente os poemas que escreve durante este período e que serão insertos em 1829 na Lírica de João Mínimo, um dos livros que publicou.

Em 1822, é nomeado funcionário do Ministério do Reino, casa com Luísa Midosi e funda o jornal para senhoras O Toucador. Em 1823, com a reacção miguelista da Vilafrancada, é obrigado a exilar-se em Inglaterra e depois em França. Contacta então com a literatura romântica (Byron, Lamartine, Vitor Hugo, Schlegel, Walter Scott, Madame de Stael), redescobre Shakespeare e, influenciado pelas recolhas de cancioneiros populares, começa a preparar o Romanceiro.

Em 1825 e 1826, publica em Paris os poemas Camões e Dona Branca, primeiras obras portuguesas de cunho romântico, fruto da metamorfose estética em si operada pelas novas leituras. Em 1826, publica também o Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa, como introdução à antologia de poesia portuguesa Parnaso Lusitano.

Em 1826, durante um período de tréguas, regressa a Portugal e mostra-se confiante na Carta Constitucional acordada entre D. Pedro e D. Miguel. Dedica-se ao jornalismo político, nos jornais O Português e O Cronista. Em 1828, depois da retoma do poder absoluto por parte de D. Miguel, exila-se novamente em Inglaterra. Em 1830 publica o tratado político Portugal na Balança da Europa, onde analisa a história da crise portuguesa e exorta à unidade e à moderação. Em 1832, parte para a ilha Terceira e participa no desembarque das tropas liberais no Mindelo. Escreve, durante o cerco do Porto, o romance histórico O Arco de Sant’Ana e colabora com Mouzinho da Silveira nas reformas administrativas.

Em 1834, é nomeado Cônsul-Geral em Bruxelas, numa espécie de terceiro exílio motivado pelo cada vez maior desencanto em relação à política portuguesa (a divisão dos liberais, a corrida aos cargos públicos) e nessa cidade contacta com a língua e literatura alemãs (Herder, Schiller, Goethe).

Em 1836, regressa a Lisboa, separa-se de Luísa Midosi e funda o jornal O Português Constitucional. No mesmo ano, é incumbido pelo governo setembrista de Passos Manuel da organização do Teatro Nacional. Nesse âmbito, desenvolverá uma acção notável, dirigindo a Inspecção Geral dos Teatros e o Conservatório de Arte Dramática, intervindo no projecto do futuro Teatro Nacional de D. Maria II e escrevendo ao longo dos anos seguintes todo um repertório dramático nacional: Um Auto de Gil Vicente, Dona Filipa de Vilhena, O Alfageme de Santarém, Frei Luís de Sousa. É por esta altura que inicia um romance com Adelaide Pastor, que morrerá em 1841, deixando-lhe uma filha (episódio que inspirará Frei Luís de Sousa).

Em 1838, torna-se Deputado da Assembleia Constituinte e membro da comissão de reforma do Código Administrativo. Em 1846, sai em volume o «inclassificável» livro das Viagens na Minha Terra, publicado um ano antes em folhetim na Revista Universal Lisbonense. Em 1851, depois de um período de distanciamento face à vida política, regressa com a Regeneração, movimento que prometia conciliação e progresso.

Nesse ano, funda o jornal A Regeneração, aceita o título de Visconde e reassume o seu papel de deputado, colaborando na proposta de revisão da Carta. Em 1852, torna-se, por pouco tempo, Ministro dos Negócios Estrangeiros. Em 1853, publica o livro de poesias Folhas Caídas, recebido com algum escândalo: o poeta era, na época, uma figura pública respeitável (deputado, ministro, visconde), que se atrevia a cantar o amor desafiando todas as convenções, e muito souberam ver na obra ecos da paixão do autor pela Viscondessa da Luz, Rosa de Montufar. Em 1854, morre em Lisboa, aos cinquenta e cinco anos.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Almeida Garrett - Biografia falada


Um vídeo realizado por alunos do 11º ano de uma escola portuguesa, autores do BlogTeam.

Neo-Classicismo e Pré-Romantismo

O século XVIII costuma designar-se por «Século das luzes» ou «Iluminismo» pelo predomínio que a Razão, como luz esclarecedora, passou a exercer nas formas do Pensamento.

Define-se, como sistema filosófico, o Racionalismo (que vai conduzir ao ateísmo e ao positivismo do século XIX) com a Crítica da Razão Pura, de Kant (1724).

Jardins do Palácio de Queluz, do século XVIIIO Racionalismo produz os germes de revolta contra a opressão espiritual da escolástica durante o século XVII. É, pois, o século XVIII, fundamentalmente, um século de crise espiritual que leva os homens à objectiva e aguda percepção dos males da época; é, por consequência, uma época em que floresce de modo extraordinário a crítica, sob a forma de sátira ou de obras e ensaios didácticos, cartas, métodos e tratados. O género satírico apresenta-se, pois, como um dos mais copiosos e representativos.

Apreciando criticamente a produção do período barroco, os escritores apercebem-se da debilidade de conteúdo de muitas das manifestações literárias e iniciam a sua luta contra a superabundância ornamental e os excessos formais. As Academias (que nas últimas décadas do século anterior se haviam já anunciado com o aparecimento da Academia dos Generosos e da Academia dos Singulares) correspondem a esse desejo de luta e de aperfeiçoamento crítico e esclarecido. Surgem assim as Academias (numerosas e activas, como a dos Anónimos, dos Ocultos, dos Aplicados, dos Unidos, dos Obsequiosos, etc.), de que, em 1720, convém assinalar a Academia Real da História, fundada por decreto do rei D. João V. Os nomes mais relevantes dessa colmeia laboriosa foram: D. António Caetano de Sousa, Diogo de Barbosa Machado, Francisco Leitão Ferreira, José Soares da Silva. A História vai-se, progressivamente, aproximando dos ramos do conhecimento científico para se afastar dos géneros literários aos quais até agora estivera estreitamente vinculada. A pesquisa e a crítica documental tomam, pouco a pouco, feição nitidamente científica.

Em 1780, no reinado da rainha D. Maria I, o Duque de Lafões, secundado pelo Abade Correia da Serra, obtém a fundação da Academia Real das Ciências substituindo a da História, órgão cultural ainda hoje sobre­vivente. Fr. Manuel do Cenáculo, Ribeiro dos Santos, António Caetano do Amaral, Francisco Alexandre Lobo, Frei Fortunato de S. Boaventura, Coelho da Rocha, etc. foram alguns dos seus nomes mais ilustres durante o século XVIII. A Academia Real das Ciências (que, em 1910, data da implantação da República, passou a chamar-se Academia das Ciências de Lisboa) possui uma Biblioteca notável que já no século XVIII contava mais de 200000 volumes, entre os quais 112 incunábulos e raridades bibliográficas de incalculável valor.


A Arcádia


A Arcádia Lusitana ou Ulissiponense, fundada em 1756, da qual foram membros fundadores António Dinis da Cruz e Silva, Esteves Negrão e Correia Garção, foi, porém, a mais notável e importante das Academias literárias e manteve-se durante vinte anos, depois do que foi reorganizada com a designação de Nova Arcádia. Visava, como esclarecem os seus estatutos, reformar o gosto deteriorado e reacender o interesse das novas gerações pelas artes literárias; pretendia, pois, «formar uma escola de bons ditames e de bons exemplos em matéria de eloquência e de poesia, que servisse de modelo aos mancebos estudiosos e difundisse ( ... ) o ardor de restaurar a antiga beleza destas esquecidas Artes».

As bases em que os árcades fundamentavam a sua acção reformadora consistiam, principalmente:

• na crítica mútua, objectiva e desassombrada das produções literárias apresentadas nas sessões da Arcádia pelos seus sócios;


• no regresso à imitação dos clássicos da Antiguidade, como fontes mais puras da perfeição literária, embora adaptando-os ao gosto moderno.



Segundo os árcades, pois, as causas verdadeiras da decadência literária provinham do abandono dos genuínos clássicos e da busca de inspiração na repetida imitação dos renascentistas.

Os membros da Arcádia, isto é, os Árcades, que assinavam as suas produções com pseudónimos literários, tinham como emblema uma mão empunhando uma foice, e como legenda o lema da mesma Arcádia: Inutilia truncat (ou seja, corta o que for inútil).

O seu principal objectivo era, com efeito, restaurar a sobriedade e equilíbrio do classicismo, fugindo aos excessos do gongorismo; preconizava-se também a libertação da rima que, segundo eles, embaraçava a livre expressão do pensamento.

O principal teorizador do neoclassicismo - isto é, desta tentativa de regresso à pureza dos moldes clássicos - foi Pedro António Correia Garção, que é considerado, ao mesmo tempo, o exemplificador mais perfeito dessas doutrinas.

Como principais documentos dessa teorização literária citaremos a famosa Sátira sobre a Imitação dos Antigos, dirigida ao conde de S. Lourenço, e a Epístola a Olino. A Cantata de Dido é, com justiça, considerada como a mais perfeita exemplificação das teorias preconizadas.

Verifica-se, no entanto, que o neoclassicismo falhou nos seus objectivos, embora tivesse dado frutos positivos como preparação para a atitude mental pré-romântica e chamado a atenção para a frustração literária que se vinha verificando. De resto, a sua acção prevalece concomitantemente com o pré-romantismo e os moldes arcádicos mantêm-se mesmo para além da implantação do Romantismo.

Com o influxo da poesia germânica, porém, envereda-se por um caminho diferente de renovação - o pré-romantismo, que consiste na busca da inspiração, não nas já exauridas ruínas clássicas, mas nas inesgotáveis fontes do mundo interior do próprio indivíduo. Essa será a via segura duma profunda revolução mental e espiritual que se concretizará com o movimento romântico.

Três anos após a fundação da Arcádia, efectivamente, já Correia Garção se apercebera da falência dos seus objectivos fundamentais, e atribuía essa falência a causas meramente exteriores: a falta de assiduidade dos membros, a falsificação da critica objectiva. As verdadeiras razões, porém, estavam nas novas necessidades estéticas que só encontrariam solução com o advento - já próximo - do Romantismo.
Quanto aos mais importantes membros da Arcádia, além de Garção, de que falaremos a seguir, é digno de menção especial António Dinis da Cruz e Silva.


Pré-Romantismo


Depois da relativa falência dos objectivos da Arcádia, verificou-se que o caminho para obviar aos males da Escola Barroca devia ser outro que não um Jardim do Palácio da Pena, em Sintra, de características românticasregresso ao ponto de partida, isto é, à imitação dos clássicos. Desse modo, influenciados principalmente pelas literaturas germânicas, alguns poetas verificam que, se as fontes clássicas, sempre iguais a si mesmas, podem esgotar-se, existe uma fonte sempre renovada de inspiração, que é o tesouro íntimo de cada um. Se os estados de alma não podem repetir-se nem identificar-se uns com os outros, a sua expressão deve participar das mesmas características.

Esta concepção está relacionada com o advento das ideias individualistas da Revolução Francesa, reflexo do movimento espiritual que comprometeu todo o pensamento europeu. Com efeito, a preferência que começa a manifestar-se na literatura pelos temas da solidão, trevas e morte, não é mais do que a afirmação dum individualismo sentimental que deste modo se revela por oposição ao que rodeia o poeta; isto é, a afirmação do seu eu isolado em relação ao mundo exterior.

Entre os que, mais decisivamente, se lançaram neste novo rumo, citaremos Bocage e a Marquesa de Alorna, Alcipe (além destes, Filinto Elísio e José Anastácio da Cunha enfileiram em tendências semelhantes). Nestes poetas, encontramos já muito dos elementos que podem considerar-se como definidores duma estética romântica:


· gosto pela solidão;
· identificação da natureza com os estados de alma;
· preferência pelas paisagens sombrias e agrestes ou tumultuosas.
· utilização literária do maravilhoso popular (fadas, génios, gnomos);
· adopção duma simbologia especial - aves nocturnas, espectros - que vai conduzir ao aproveitamento do belo-horrível como tópico da literatura romântica;
· preferência pelos temas da noite, da escuridão, etc.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Feliz Natal e Bom Ano Novo!

Feliz Natal e Bom Ano Novo com muito amor e carinho para todos. Que 2008 seja melhor que 2007 e pior que 2009.

Isa Fernandes

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Feliz Natal e Bom ano novo

Desejo a todos um Feliz Natal e um Bom Ano Novo!

Cláudia Soledade

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Avaliações do 1º período

As avaliação do 1º período da turma C podem ser vistas aqui, e as da turma D aqui. É um ficheiro pdf, que necessita do programa Acrobat Reader para ser visto. Se não o têm, pode ser conseguido nesta ligação.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Boas Festas

Boas Festas (férias) a todos: à Ana, ao Carlos, ao Cilauro, à Cláudia, à Isa, ao João Carlos, à Milene, à Pauleth, ao Ruben, ao Tiago, à Vanessa e à Vânia. E também à Ana Cristina, se ainda aparecer por aqui.
Ah, é verdade: e leiam «Os Maias».



A tradição do Natal

O meio do Inverno há já muito tempo que é celebrado por todo o mundo. Séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, os primevos europeus comemoravam a luz e o nascimento nos mais escuros dias do Inverno. Muitos povos festejavam o solstício de Inverno, quando a primeira e pior metade do Inverno já havia passado e poderiam antever dias mais longos e mais horas de luz solar.

Na Escandinávia, os povos nórdicos comemoravam Yule desde 21 de Dezembro, o solstício de Inverno, até ao final de Janeiro. Em agradecimento do regresso do sol, pais e filhos traziam para dentro de casa um enorme tronco de árvore, a que posteriormente deitavam fogo.

Festejava-se então até que o tronco ardesse na totalidade, o que poderia demorar 12 dias. Os nórdicos acreditavam que cada faísca representava um porco ou uma vitela nova que iriam nascer durante o ano que então se iniciava.

O final de Dezembro era celebrado na maior parte das regiões de Europa. Nessa época do ano, grande parte do gado era morto, para que durante o Inverno não faltasse alimentação para o gado que restava. Para muitos, era a única época do ano em que se comia carne fresca. Além disso, a maior parte do vinho e da cerveja fabricados durante o ano tinha já fermentado e estavam prontos para serem bebidos.

Na Alemanha, os povos honravam o deus pagão Odin durante um feriado celebrado a meio do Inverno. Os alemães receavam este deus, já que acreditavam que Odin voava pelo céu nocturno para observar o povo, e decidir quem iria prosperar ou morrer. Por o recearem, muitos escolhiam permanecer dentro de casa.

Em Roma, onde os Invernos não eram tão duros quanto os do norte, celebrava-se um feriado em honra de Saturno, o deus da agricultura, a que davam o nome de Saturnálias. Começava na semana em que se dava o solstício de Inverno e continuava por um mês inteiro. As Saturnálias eram uma festa hedonística, em que se consumia comida e bebida em excesso, e a ordem social romana era completamente alterada, tal como hoje em dia acontece por alturas do Carnaval. Havia até um dia em que os escravos se transformavam em senhores e estes últimos passavam a servir os primeiros, aceitando a situação com o máximo desportivismo. Os camponeses passavam a mandar na cidade e as escolas e lojas encerravam para que todos pudessem participar.

Também por volta do época do solstício de Inverno, os romanos comemoravam a Juvenália, uma festa em honra das crianças de Roma. Os membros das classes superiores comemoraram ainda o aniversário de Mitra, o inconquistável deus do sol, a 25 de Dezembro. Acreditava-se que Mitra, um deus infantil, teria nascido de uma rocha. Para alguns romanos, o aniversário de Mitra era o dia o mais sagrado do ano.

Nos primeiros tempos do cristianismo, a Páscoa era a principal festividade que se comemorava; o nascimento de Jesus não era celebrado. No quarto século, a igreja decidiu instituir um feriado no dia do nascimento de Jesus Cristo. Infelizmente, a Bíblia não menciona a data do seu nascimento (um facto que os puritanos mais tarde alegaram para recusar a legitimidade destas celebrações). Embora existam algumas pistas de que o nascimento de Cristo terá ocorrido na primavera (que razão haveria para que os pastores andassem a apascentar gado no pino do Inverno?), o papa Júlio I optou por 25 de Dezembro.

Acredita-se que a igreja escolheu esta data num esforço para adoptar e absorver as tradições do festival pagão das Saturnálias.

Primeiramente chamadas de Festas da Natividade, este costume espalhou-se pelo Egipto por volta do ano de 432 e para Inglaterra já em finais do século sexto. Em finais do século oitavo, a celebração do Natal já se havia espalhado por toda a Escandinávia.

Nos dias de hoje, tanto nas igrejas ortodoxas gregas como nas russas, o Natal é comemorado 13 dias após o dia 25, já que nesse dia se comemora a Epifania dos três Reis Magos, quando estes três Reis Magos encontraram finalmente Jesus na sua mangedoira.
Festejando o Natal na mesma altura das tradicionais festas do solstício de Inverno, os líderes da igreja aumentaram as possibilidades de o Natal se popularizar, mas acima de tudo passaram a ditar a maneira como esta época devia ser celebrada. Na Idade Média, o cristianismo havia quase totalmente substituído as religiões pagãs. No Natal, os crentes iam à igreja, e a seguir celebravam estas festividades comendo e bebendo efusivamente, numa atmosfera muito semelhante à do Carnaval dos dias de hoje. Todos os anos, um pedinte ou um estudante era coroado "rei da confusão" e toda a gente fazia alegremente o papel de seus vassalos. Os pobres iam às casas dos ricos e exigiam as melhores comidas e bebidas; se estes não aceitassem, os visitantes aterrorizavam-nos rogando-lhes um sem número de pragas, algo de semelhante à tradição do pão-por-Deus que ainda persiste em alguns lugares de Portugal. O Natal transformou-se na época do ano em que as classes superiores podiam compensar os mais desfavorecidos e minorar a miséria destes durante este curto período de tempo.



As árvores de Natal



Durante muito tempo antes do aparecimento do cristianismo, as plantas e as árvores que permaneciam verdejantes todo o ano tinham um significado especial no Inverno para as pessoas. Tal como as pessoas actualmente decoram as suas casas durante a época festiva com pinheiros e ramos de árvores, os povos antigos penduravam ramos verdes sobre as suas portas e janelas. Em muitos países acreditava-se que esses ramos verdes afastavam bruxas, fantasmas, espíritos maus e doenças.

É crença generalizada que o início da tradição das árvores de Natal teve início na Alemanha, no século XVI. Quando cristãos devotos traziam árvores para o interior das suas casas e as ornamentavam profusamente. Alguns construíam pirâmides de lenha e decoravam-nas com ramos verdes e velas quando não era fácil encontrar uma árvore porque nesses tempos a madeira era escassa. É opinião corrente que Martinho Lutero, o reformista protestante do século XVI, foi o primeiro a colocar velas iluminadas numa árvore. Ao caminhar para casa numa escura noite de Inverno, enquanto compunha um sermão, ficou maravilhado pelo brilho das estrelas por entre as árvores. Para recriar essa cena para a sua família, colocou uma árvore na sala principal da casa e atou velas aos ramos, que posteriormente acendeu.

Em 1846, a rainha Vitória e o príncipe Alberto, que era alemão, ambos extremamente populares, bem como os seus filhos, posaram para um desenho destinado à revista inglesa Illustrated London News junto a uma árvore de Natal decorada. Ao contrário da família real precedente, a rainha Vitória era muito popular junto dos seus súbditos, e o que se fazia na corte rapidamente entrava na moda, não apenas na Grã-Bretanha mas também na sofisticada sociedade da costa leste dos Estados Unidos. A árvore de Natal tinha chegado para ficar.